Não, nada é simples para quem tem TOC. Dizem que café não é bom para quem tem ansiedade pois a cafeína pode deixar a pessoa mais agitada e ansiosa. Dizem que o chá apesar de também ter cafeína é em menor quantidade então é melhor tomar chá do que café. Mas café aqui na empresa é feito por alguém então meu ritual é somente para pegar o copo e colocar açucar e mais tarde aperfeiçoei isso e passei a trazer minha própria xícara assim reduzi o ritual de tomar café somente para o ritual em pegar açucar. Já o chá é mais complicado, eu mesmo preciso preparar meu chá. Isso implica em fazer ritual para pegar água do bebedouro em minha xícara. Depois tem o ritual para escolher o sache de chá que fica na sala da secretária e não é nada fácil não poder tocar em todos os saches de chá antes de escolher o que eu quero, principalmente na frente de alguém. Depois tem o ritual para esquentar a água, se ela pelo menos já saísse quente seria um trabalho a menos. Depois de pegar e esquentar a água várias vezes e tocar bem de levinho na cordinha de quase todos os saches para não tocar diretamente neles e contaminá-los, finalmente resta apenas o ritual para colocar açucar e posso disfrutar desse delicioso e trabalhoso chá.
Delicioso? Depois de tudo isso estou odiando esse chá e chego a conclusão que o chá me causa mais ansiedade do que o café. Sempre pego um chá calmante, não que eu esteja nervoso sempre mas sei que após o preparo do chá com certeza ficarei nervoso e precisarei de um chá calmante.
Hoje achei mais fácil substituir o chá por um gole dágua. Não que minha boca não salivasse por um chazinho sabor limão mas devido ao nível de ansiedade alto que me encontro sabia que não conseguiria chegar até o fim do preparo do chá. Mais tarde vou optar pelo café, que se dane a cafeína, pelo menos para mim é mais fácil pegar um café do que fazer um chá. Ainda bem que não nasci na Inglaterra rs.
Esse Blog é para aqueles que tem manias esquisitas, tiques, "cacuetes", que verificam várias vezes se a porta está fechada, se o gás está desligado, que ligam e desligam as luzes um determinado número de vezes ou que não tem nada disso mas conhece alguém que tem. O intuito do site é fornecer informações sobre essas manias, permitir que voce se identifique com algumas ou várias delas e descubra que voce não está sozinho nessas manias e busque uma forma de controlá-las e conviver com elas.
Páginas
28 outubro 2010
26 outubro 2010
O retorno
De volta ao trabalho! Achei que nesses 10 dias eu iria postar bastante mas não postei NADA! :) Voltando ao trabalho me dei conta de que eu acordo cedo 5 dias na semana mas chega na sexta-feira e ainda não me acostumei em acordar cedo mas bastam dois dias do fim de semana para eu me acostumar a acordar tarde. O mesmo acontece com as férias, se vc dividir as férias em duas vc vai sair de férias a cada 6 meses. Pois bem, vc trabalha 6 meses e não se acostuma com o trabalho mas bastam 10 dias de férias para vc voltar ao trabalho como se tudo no trabalho não fizesse parte desse universo. Tenho medo de tirar 30 dias de férias e na volta não lembrar mais o nome dos colegas, onde sento ou talvez nem saiba mais como ir de carro até o trabalho rs.
Brincadeiras a parte vamos falar do TOC ao voltar para o trabalho. Durante as férias eu não tinha horário praticamente para nada e acordar a hora que quisesse (bom mais ou menos isso) e sem aquela obrigação de me arrumar a tempo de não chegar muiiiito atrasado no trabalho já me tirava um peso enorme da cabeça e minha ansiedade diminuia muito. Como ansiedade está diretamente ligada com o TOC ele também diminuia e ao fazer os rituais estando eu mais tranquilo eu demorava menos tempo do que o habitual.
Eu também podia fazer as coisas na sequencia que eu quisesse então se eu não conseguisse lavar o rosto por causa dos rituais eu descia para tomar café e depois fazia uma nova tentativa pois tinha tempo de sobra. Agora eu PRECISO lavar o rosto antes de descer e tomar o café pois para mim é muito custoso descer as escadas uma única vez, imagina descê-la e depois ter que subir e descer novamente só para lavar o rosto? Então ou fico na parte de cima até lavar o rosto ou desço e pulo essa parte.
Fazer o que vc tem vontade, fazer coisas agradáveis como ir ao cinema, passear no shopping, fazer algum trabalho manual e artesanal do qual vc gosta muito, se dedicar a um hobby é tratamento para qualquer doença e não seria diferente com o TOC. Tudo isso te ajuda a lidar melhor com o TOC, a diminuir a sua ansiedade e com isso vc dá menos atenção para o TOC.
Sabemos de tudo o que é bom para nós, sabemos que devemos fazer exercícios, que devemos ter uma alimentação saudável, sabemos o que deveriamos comer e o que não deveríamos, o duro e conseguir concilicar tudo isso com nosso tempo então nem sempre fazemos, comemos ou vivemos da maneira ideal e sim da melhor maneira possível.
O jeito é seguir em frente mas sempre tentando colocar nossa saúde em 1o lugar pois de que adianta ter dinheiro, tempo se não temos saúde para aproveitá-los? Nós que temos TOC temos que aprender a ser menos exigente com nós mesmo e relaxar mais pois talvez tenhamos que conviver com ele pelo resto de nossas vidas então vamos gastar nossas forças aprendendo a conviver com ele e não lutando contra ele.
Lembre-se que o ótimo é inimigo do bom
Brincadeiras a parte vamos falar do TOC ao voltar para o trabalho. Durante as férias eu não tinha horário praticamente para nada e acordar a hora que quisesse (bom mais ou menos isso) e sem aquela obrigação de me arrumar a tempo de não chegar muiiiito atrasado no trabalho já me tirava um peso enorme da cabeça e minha ansiedade diminuia muito. Como ansiedade está diretamente ligada com o TOC ele também diminuia e ao fazer os rituais estando eu mais tranquilo eu demorava menos tempo do que o habitual.
Eu também podia fazer as coisas na sequencia que eu quisesse então se eu não conseguisse lavar o rosto por causa dos rituais eu descia para tomar café e depois fazia uma nova tentativa pois tinha tempo de sobra. Agora eu PRECISO lavar o rosto antes de descer e tomar o café pois para mim é muito custoso descer as escadas uma única vez, imagina descê-la e depois ter que subir e descer novamente só para lavar o rosto? Então ou fico na parte de cima até lavar o rosto ou desço e pulo essa parte.
Fazer o que vc tem vontade, fazer coisas agradáveis como ir ao cinema, passear no shopping, fazer algum trabalho manual e artesanal do qual vc gosta muito, se dedicar a um hobby é tratamento para qualquer doença e não seria diferente com o TOC. Tudo isso te ajuda a lidar melhor com o TOC, a diminuir a sua ansiedade e com isso vc dá menos atenção para o TOC.
Sabemos de tudo o que é bom para nós, sabemos que devemos fazer exercícios, que devemos ter uma alimentação saudável, sabemos o que deveriamos comer e o que não deveríamos, o duro e conseguir concilicar tudo isso com nosso tempo então nem sempre fazemos, comemos ou vivemos da maneira ideal e sim da melhor maneira possível.
O jeito é seguir em frente mas sempre tentando colocar nossa saúde em 1o lugar pois de que adianta ter dinheiro, tempo se não temos saúde para aproveitá-los? Nós que temos TOC temos que aprender a ser menos exigente com nós mesmo e relaxar mais pois talvez tenhamos que conviver com ele pelo resto de nossas vidas então vamos gastar nossas forças aprendendo a conviver com ele e não lutando contra ele.
Lembre-se que o ótimo é inimigo do bom
08 outubro 2010
Férias
É incrível o poder terapêutico das férias! Para algumas pessoas a solução dos problemas é o trabalho, a pessoa aumenta a carga de trabalho para pensar menos nos problemas. Para mim definitivamente a solução dos problemas são as férias.
Na última semana de trabalho antes das férias eu melhorei 50% do meu TOC. O fato de ter uma obrigação todos os dias - pelo menos todos os dias úteis - fazia com que minha ansiedade aumentasse e com isso os rituais ficassem mais frequentes. À 1a vista quem lê esse post acha que quem tem TOC é meio preguiçoso pois vive reclamando das coisas que tem para fazer mas quem tem TOC sabe o quão difícil é fazer uma atividade com milhões de pensamentos invadindo a mente e tendo que fazer rituais e malabarismos até completar a atividade.
Tem uma amiga que me relatou que largou o emprego dela de 10 anos pois não conseguia nem passar em frente ao emprego e não é raro encontrar pessoas que não conseguem sequer sair de casa devido a tantos rituais que tem para fazer antes de sair ou mesmo pelo medo exagerado de contaminação exercido pelo TOC.
Depois que passei a tomar medicamentos meu TOC não é mais incapacitante mas os diversos rituais antes de sair de casa para trabalhar, os rituais no trabalho somado à pressão sofrida na empresa, tanto pelo volume de trabalho quanto pelos olhares dos colegas, é de desanimar e elevar a ansiedade qualquer um. Sabendo que faltava 1 semana para as férias o humor muda para melhor, a ansiedade diminui e consequentemente os rituais diminuem e o ambiente de trabalho passa a ser até mais prazeiroso.
Existem várias doenças que são consideradas incapacitantes e que a pessoa pode ser aposentada precoçemente mas nunca ouvi falar nada em relação ao TOC. Alguns portadores de TOC não conseguem uma melhora significativa nem com medicamentos e nem com terapias e seu TOC pernamece a um nível incapacitante, impedindo que a pessoa realize muitas das atividades consideradas corriqueiras ou então fazendo com que essa pessoa demore horas para realizar essas atividades, trazendo para o portador muita ansiedade, angustia e até humilhação no caso de atividades que tenham que ser realizadas em público ou em grupo.
Ao contrário do que possa parecer não pretendo viajar nas minhas férias e passar ela toda deitado numa cadeira de praia, em frente ao mar e com um copo na mão. Pretendo trabalhar bastante mas em algo que eu goste, que me de prazer e que eu não seja obrigado a fazer e portanto não tenha prazo definido, cronograma e nem dia e hora para começar e terminar :) As férias são para me livrar do trabalho forçado, do trabalho escravo que sou obrigado a realizar, mesmo meio a pensamentos e rituais, para poder me sustentar mas não para me livrar do exercício de alguma atividade.
Espero aproveitar as férias também para poder postar mais aqui no meu blog, seja coisas úteis ou inúteis também, afinal não tem nada na vida mais inútil que o próprio TOC rs
Na última semana de trabalho antes das férias eu melhorei 50% do meu TOC. O fato de ter uma obrigação todos os dias - pelo menos todos os dias úteis - fazia com que minha ansiedade aumentasse e com isso os rituais ficassem mais frequentes. À 1a vista quem lê esse post acha que quem tem TOC é meio preguiçoso pois vive reclamando das coisas que tem para fazer mas quem tem TOC sabe o quão difícil é fazer uma atividade com milhões de pensamentos invadindo a mente e tendo que fazer rituais e malabarismos até completar a atividade.
Tem uma amiga que me relatou que largou o emprego dela de 10 anos pois não conseguia nem passar em frente ao emprego e não é raro encontrar pessoas que não conseguem sequer sair de casa devido a tantos rituais que tem para fazer antes de sair ou mesmo pelo medo exagerado de contaminação exercido pelo TOC.
Depois que passei a tomar medicamentos meu TOC não é mais incapacitante mas os diversos rituais antes de sair de casa para trabalhar, os rituais no trabalho somado à pressão sofrida na empresa, tanto pelo volume de trabalho quanto pelos olhares dos colegas, é de desanimar e elevar a ansiedade qualquer um. Sabendo que faltava 1 semana para as férias o humor muda para melhor, a ansiedade diminui e consequentemente os rituais diminuem e o ambiente de trabalho passa a ser até mais prazeiroso.
Existem várias doenças que são consideradas incapacitantes e que a pessoa pode ser aposentada precoçemente mas nunca ouvi falar nada em relação ao TOC. Alguns portadores de TOC não conseguem uma melhora significativa nem com medicamentos e nem com terapias e seu TOC pernamece a um nível incapacitante, impedindo que a pessoa realize muitas das atividades consideradas corriqueiras ou então fazendo com que essa pessoa demore horas para realizar essas atividades, trazendo para o portador muita ansiedade, angustia e até humilhação no caso de atividades que tenham que ser realizadas em público ou em grupo.
Ao contrário do que possa parecer não pretendo viajar nas minhas férias e passar ela toda deitado numa cadeira de praia, em frente ao mar e com um copo na mão. Pretendo trabalhar bastante mas em algo que eu goste, que me de prazer e que eu não seja obrigado a fazer e portanto não tenha prazo definido, cronograma e nem dia e hora para começar e terminar :) As férias são para me livrar do trabalho forçado, do trabalho escravo que sou obrigado a realizar, mesmo meio a pensamentos e rituais, para poder me sustentar mas não para me livrar do exercício de alguma atividade.
Espero aproveitar as férias também para poder postar mais aqui no meu blog, seja coisas úteis ou inúteis também, afinal não tem nada na vida mais inútil que o próprio TOC rs
23 setembro 2010
Depois da tempestade vem a bonança
Ouvimos muito essa frase mas será que a vivemos muito? Nesses meus 30 anos de TOC eu vivi muito essa frase, isso significa que vi muitas bonanças mas para isso também passei por muitas tempestades. Meu TOC sempre foi como um caminhar num terreno cheio de montanhas e vales, alguns períodos eu me sentia descendo a montanha em direção ao vale, as coisas iam piorando, os rituais iam ficando pior e por experiência eu sabia que nada como um dia após o outro para o que estava ruim ficar pior ainda. Mas por experiências também eu sabia que uma hora eu ia chegar ao fundo do vale (não confundam com o fundo do poço) e que chegando ao fundo, dali eu não passaria e não haveria outra opção senão começar a subida da montanha. Sabia que por pior que fosse a tempestade que eu estava passando uma hora ela haveria de acabar e quando acabasse viria a bonança. Então eu começava a subida da montanha e graças a Deus as coisas iam melhorando eu eu sabia que ficariam melhor até eu atingir o topo! Isso era um ciclo e as vezes as tempestades duravam mais que as bonanças e as vezes era ao contrário mas sempre uma vinha após a outra. Lembro-me de um trecho da bíblia que diz:
Mas faz um bom tempo já que as tempestades tem durado muito mais que as bonanças. Tenho tido períodos muitos mais longos em que meus rituais são intensos e me pertubam muito e períodos bem curtos em que estou tranquilo. Essas semanas já acordava e colocava o pé no chão fazendo rituais e aí começo a brigar comigo mesmo mentalmente. Saio para trabalhar e fico xingando e brigando mentalmente com os demais motoristas, nunca vi cidade igual a minha para ter motorista ruim e egoísta. Realmente o TOC me tira o bom-humor. As pessoas sempre me perguntam se algo está acontecendo pois ando calado, sério. Já ouvi muito: mas vc não era assim, algo está acontecendo. E como responder: sim, algo está acontecendo mesmo, meu TOC está me matando! Se fizer isso metade vai sair correndo antes que esse "TOC" resolva matá-los também e a outra metade vai me perguntar se é contagioso antes de sair correndo. É complicado explicar algo tão complicado.
Dizer que se tem depressão é triste, falar que sofre de estress ou sindrome do pânico virou moda, falar que está com diarréia é feio mas dizer que tem TOC é proibido! Quem tem coragem de dizer: óh céus, ó vida, hoje meus rituais estão mais intensos e os pensamentos invasivos não me deixam em paz, sem correr o risco de ser olhado de baixo para cima, com aqueles olhos esbugalhados do colega ao lado?
Nessas horas me lembro do ditado que diz: de médico e louco todo mundo tem um pouco e começo a pensar seriamente em estudar medicina para ver se aumento esse meu lado de médico.
Agradeço a todos que postaram comentários nessas semanas pois várias pessoas postam perguntas e comentários sobre seu TOC mas nessas semanas que estou mais atacado do que nunca foram as semanas que as pessoas mais escreveram relatando suas experiências e isso ajuda um bocado.
Mas depois das tempestades vem a bonança, quanto mais escura a noite mais próximo está o amanhecer então só me resta esperar a bonança chegar :)
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Salmos 30:5Então enquanto estamos na tempestade, chorando, devemos lembrar que a alegria vem pela manhã junto com a bonança.
Mas faz um bom tempo já que as tempestades tem durado muito mais que as bonanças. Tenho tido períodos muitos mais longos em que meus rituais são intensos e me pertubam muito e períodos bem curtos em que estou tranquilo. Essas semanas já acordava e colocava o pé no chão fazendo rituais e aí começo a brigar comigo mesmo mentalmente. Saio para trabalhar e fico xingando e brigando mentalmente com os demais motoristas, nunca vi cidade igual a minha para ter motorista ruim e egoísta. Realmente o TOC me tira o bom-humor. As pessoas sempre me perguntam se algo está acontecendo pois ando calado, sério. Já ouvi muito: mas vc não era assim, algo está acontecendo. E como responder: sim, algo está acontecendo mesmo, meu TOC está me matando! Se fizer isso metade vai sair correndo antes que esse "TOC" resolva matá-los também e a outra metade vai me perguntar se é contagioso antes de sair correndo. É complicado explicar algo tão complicado.
Dizer que se tem depressão é triste, falar que sofre de estress ou sindrome do pânico virou moda, falar que está com diarréia é feio mas dizer que tem TOC é proibido! Quem tem coragem de dizer: óh céus, ó vida, hoje meus rituais estão mais intensos e os pensamentos invasivos não me deixam em paz, sem correr o risco de ser olhado de baixo para cima, com aqueles olhos esbugalhados do colega ao lado?
Nessas horas me lembro do ditado que diz: de médico e louco todo mundo tem um pouco e começo a pensar seriamente em estudar medicina para ver se aumento esse meu lado de médico.
Agradeço a todos que postaram comentários nessas semanas pois várias pessoas postam perguntas e comentários sobre seu TOC mas nessas semanas que estou mais atacado do que nunca foram as semanas que as pessoas mais escreveram relatando suas experiências e isso ajuda um bocado.
Mas depois das tempestades vem a bonança, quanto mais escura a noite mais próximo está o amanhecer então só me resta esperar a bonança chegar :)
10 setembro 2010
Psicólogos: Será que Freud explica?
Psicólogos e psiquiatras são a mesma coisa? Cuidam dos mesmos problemas?
Não sou psiquiatra mas através de pesquisas descobri que Psiquiatria é uma especialidade da medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações psicólogicas severas. A meta principal é o alívio do sofrimento e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do paciente, com perspectivas biológica, psicológica, de ordem cultural, entre outras afins. O psiquiatra pode fazer uso da psicoterapia porém para praticá-la o psiquiatra deve fazer a formação complementar sendo que os mais indicados para isso são os psicólogos.
Também não sou psicólogo mas por estudos sei que psicologia é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que organismo faz) e os processos mentais (experiências subjetivas inferidas através do comportamento). O principal foco da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano. O psicólogo é o profissional que estuda esses processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano e está apto a realizar psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação, entre outras.
Não sei se há um preconceito contra o psicólogo assim como há com o psiquiatra. Não achamos que psicólogos tratam somente de loucos porém muitas vezes somos céticos em relação a esses profissionais. Não acreditamos que eles possam entender nossa natureza complexa e que através de técnicas possam nos tornar pessoas melhores para nós mesmo. Eu não acredito que devemos mudar nosso "jeito de ser" (tradução para: personalidade) para agradar outras pessoas ou nos tornar pessoas melhores para os outros mas com certeza quando não estamos contentes consigo mesmo devemos sim procurar ajuda para que possamos mudar nossa maneira de viver, de enxergar e de lidar com tudo o que nos rodeia. As vezes a solução para problemas complicados são simples mas nosso modo de viver ou de encarar os problemas podem fazer com que tornamos as soluções muito mais complicadas que o próprio problema. Todos sabemos que falar de nossos problemas, contar sobre nossas vidas para outras pessoas aliviam e muito a carga que carregamos e as dificuldades que, antes da conversa categorizavamos como dificílimo de resolver, ao final da conversa já estamos mudando sua categoria para "um pouco complicadinho" para resolver. Quando essa pessoa além de nos escutar também nos mostra outras maneiras de abordarmos o problema, acabamos vendo que na verdade aquele problema não é tão complexo de resolver e que sim, ele é passível de ser resolvido.
O profissional indicado para isso é o psicólogo. Ninguém conhece vc melhor do que vc mesmo e mesmo assim vc não se conhece 100% mas ninguém está mais apto para te auxiliar a se conhecer melhor do que o psicólogo. Não sou nenhum garoto-propaganda do institudo de psicologia mas acredito que a psicoterapia pode sim ser muito útil no tratamento do TOC.
Já disse anteriormente que o TOC é causado em parte por uma "falha" no nível de serotonina em nosso cérebro e que o profissional indicado para tratar essa reposição de serotonina é o psiquiatra, e a outra parte responsável pelo TOC é nosso psicológico que deve ser tratado por um psicólogo. É possível sim vencer essa 2a parte sozinho ou com a ajuda de amigos e familiares mas não se sinta frustado caso não esteja conseguindo vencer o TOC, mesmo tomando medicamento, e necessite da ajuda de um profissional da psicologia.
Somos chamados de indivíduos porque temos nossas individualidades, porque cada ser humano age e reage de um jeito e não porque fomos feitos para viver isolados, de forma individual. Com a modernidade estamos cada vez mais atarefados, não temos tempo para conversar com o vizinho ou o colega ao lado, não temos tempo nem para nós mesmos. Com isso vamos nos sentindo cada vez mais isolados e a necessidade de desabafar, de conversar, cresce a ponto de fazermos isso com um estranho. Ainda bem que quando chegamos a esse ponto existe um profissional apto para isso, apto para nos ouvir.
Se Freud não explicar, procure um psicólogo que ele explica :)
Não sou psiquiatra mas através de pesquisas descobri que Psiquiatria é uma especialidade da medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações psicólogicas severas. A meta principal é o alívio do sofrimento e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do paciente, com perspectivas biológica, psicológica, de ordem cultural, entre outras afins. O psiquiatra pode fazer uso da psicoterapia porém para praticá-la o psiquiatra deve fazer a formação complementar sendo que os mais indicados para isso são os psicólogos.
Também não sou psicólogo mas por estudos sei que psicologia é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que organismo faz) e os processos mentais (experiências subjetivas inferidas através do comportamento). O principal foco da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano. O psicólogo é o profissional que estuda esses processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano e está apto a realizar psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação, entre outras.
Não sei se há um preconceito contra o psicólogo assim como há com o psiquiatra. Não achamos que psicólogos tratam somente de loucos porém muitas vezes somos céticos em relação a esses profissionais. Não acreditamos que eles possam entender nossa natureza complexa e que através de técnicas possam nos tornar pessoas melhores para nós mesmo. Eu não acredito que devemos mudar nosso "jeito de ser" (tradução para: personalidade) para agradar outras pessoas ou nos tornar pessoas melhores para os outros mas com certeza quando não estamos contentes consigo mesmo devemos sim procurar ajuda para que possamos mudar nossa maneira de viver, de enxergar e de lidar com tudo o que nos rodeia. As vezes a solução para problemas complicados são simples mas nosso modo de viver ou de encarar os problemas podem fazer com que tornamos as soluções muito mais complicadas que o próprio problema. Todos sabemos que falar de nossos problemas, contar sobre nossas vidas para outras pessoas aliviam e muito a carga que carregamos e as dificuldades que, antes da conversa categorizavamos como dificílimo de resolver, ao final da conversa já estamos mudando sua categoria para "um pouco complicadinho" para resolver. Quando essa pessoa além de nos escutar também nos mostra outras maneiras de abordarmos o problema, acabamos vendo que na verdade aquele problema não é tão complexo de resolver e que sim, ele é passível de ser resolvido.
O profissional indicado para isso é o psicólogo. Ninguém conhece vc melhor do que vc mesmo e mesmo assim vc não se conhece 100% mas ninguém está mais apto para te auxiliar a se conhecer melhor do que o psicólogo. Não sou nenhum garoto-propaganda do institudo de psicologia mas acredito que a psicoterapia pode sim ser muito útil no tratamento do TOC.
Já disse anteriormente que o TOC é causado em parte por uma "falha" no nível de serotonina em nosso cérebro e que o profissional indicado para tratar essa reposição de serotonina é o psiquiatra, e a outra parte responsável pelo TOC é nosso psicológico que deve ser tratado por um psicólogo. É possível sim vencer essa 2a parte sozinho ou com a ajuda de amigos e familiares mas não se sinta frustado caso não esteja conseguindo vencer o TOC, mesmo tomando medicamento, e necessite da ajuda de um profissional da psicologia.
Somos chamados de indivíduos porque temos nossas individualidades, porque cada ser humano age e reage de um jeito e não porque fomos feitos para viver isolados, de forma individual. Com a modernidade estamos cada vez mais atarefados, não temos tempo para conversar com o vizinho ou o colega ao lado, não temos tempo nem para nós mesmos. Com isso vamos nos sentindo cada vez mais isolados e a necessidade de desabafar, de conversar, cresce a ponto de fazermos isso com um estranho. Ainda bem que quando chegamos a esse ponto existe um profissional apto para isso, apto para nos ouvir.
Se Freud não explicar, procure um psicólogo que ele explica :)
02 setembro 2010
Psiquiatra: médico de louco?
Muitas pessoas enxergam o psiquiatra como um médico para loucos e eu não condeno essas pessoas porque um dia também pensei assim. Quando se fala em psiquiatra pensamos em um médico que cuida das pessoas que estão loucas, vendo coisas, ouvindo vozes ou então que estão com depressão, estressadas e que o psiquiatra irá receitar remédios que as deixarão dopadas e babando. Mas quando vc começa a ir a um psiquiatra, após relutar muito, vc passa a vê-los de uma forma diferente.
A minha demora para procurar ajuda para tratar meu TOC foi devido a 3 fatores: Em 1o lugar eu não sabia que o que eu tinha era uma doença tratável e conhecida pela medicina; em 2o lugar eu não sabia que médico procurar para tratar de algo que eu não sabia nem o que era; e em 3o lugar quando tudo apontava para que eu procurasse um psiquiatra para saber o que eu tinha e me tratar, veio o preconceito pelo médico psiquiatra pois eu não era um louco e também não queria ser tratado por um médico de loucos.
Vencidos esses 3 obstáculos eu procurei um psiquiatra e minha mente se abriu. Passei a entender muito mais o TOC, passei a ver os psiquiatras com outros olhos e passei a me tratar com medicamentos. Por isso criei esse blog com o objetivo de ajudar as pessoas a vencerem esses 3 obstáculos também. Aqui as pessoas podem identificar se o que tem é TOC ou não, podem se informar sobre os tipos de tratamentos existentes para o TOC e espero que depois desse post possam vencer o preconceito contra os psiquiatras pois eles não são apenas médicos para loucos.
Os psiquiatras são médicos que tratam uma parte do seu corpo assim como qualquer outro médico, que receitam remédios assim como qualquer outro médico, a diferença é que eles tratam uma parte do nosso corpo muito complexa, uma parte que nem sempre responde de forma igual para todos os pacientes quando se toma o mesmo medicamento e na mesma dosagem. Por isso, muitas vezes , o tratamento psiquiátrico exige um pouco mais de tempo do que os demais tratamentos.
É importante escolher bem o médico psiquiátrico pois como ele trabalha com a mente humana e com remédios que podem mudar nosso comportamento temos que ter total confiança neles e eles precisam estar mais atentos a seus pacientes e sempre se reciclando pois a medicina como um todo evolui muito porém a mente humana ainda é um grande mistério para os médicos e a cada dia se fazem novas descobertas.
A doença da mente pode ser causada por fatores químicos como a falta de uma determinada substância no organismos ou por fatores psicológicos, como um trauma na infancia, uma educação deturpada ou por manias que acabamos incorporando em nossas mentes como parte de nossas rotinas. Para tratar os fatores químicos devemos utilizar remédios e para os fatores psicológicos temos a psicoterapia ou a terapia com psicólogo. Falaremos dos psicólogos em outro post.
Como em todo e qualquer tratamento, também não devemos abandonar ou parar na metade um tratamento psiquiátrico. Muitos medicamentos tem efeitos colaterais quando tomamos e efeitos muito piores quando paramos com eles de uma hora para outra sem fazer a retirada gradual. Além desses efeitos indesejados de parar a medicação ainda temos, muitas vezes, a volta do problema no qual estávamos tratando e muitas vezes a recaída é pior do que o problema inicial.
Eu aprendi a gostar do meu psiquiatra, ele me ouve com a maior paciencia :). Tudo bem que ele é pago para isso mas tem muita gente que pagaria para eu ficar quietinho rs
A minha demora para procurar ajuda para tratar meu TOC foi devido a 3 fatores: Em 1o lugar eu não sabia que o que eu tinha era uma doença tratável e conhecida pela medicina; em 2o lugar eu não sabia que médico procurar para tratar de algo que eu não sabia nem o que era; e em 3o lugar quando tudo apontava para que eu procurasse um psiquiatra para saber o que eu tinha e me tratar, veio o preconceito pelo médico psiquiatra pois eu não era um louco e também não queria ser tratado por um médico de loucos.
Vencidos esses 3 obstáculos eu procurei um psiquiatra e minha mente se abriu. Passei a entender muito mais o TOC, passei a ver os psiquiatras com outros olhos e passei a me tratar com medicamentos. Por isso criei esse blog com o objetivo de ajudar as pessoas a vencerem esses 3 obstáculos também. Aqui as pessoas podem identificar se o que tem é TOC ou não, podem se informar sobre os tipos de tratamentos existentes para o TOC e espero que depois desse post possam vencer o preconceito contra os psiquiatras pois eles não são apenas médicos para loucos.
Os psiquiatras são médicos que tratam uma parte do seu corpo assim como qualquer outro médico, que receitam remédios assim como qualquer outro médico, a diferença é que eles tratam uma parte do nosso corpo muito complexa, uma parte que nem sempre responde de forma igual para todos os pacientes quando se toma o mesmo medicamento e na mesma dosagem. Por isso, muitas vezes , o tratamento psiquiátrico exige um pouco mais de tempo do que os demais tratamentos.
É importante escolher bem o médico psiquiátrico pois como ele trabalha com a mente humana e com remédios que podem mudar nosso comportamento temos que ter total confiança neles e eles precisam estar mais atentos a seus pacientes e sempre se reciclando pois a medicina como um todo evolui muito porém a mente humana ainda é um grande mistério para os médicos e a cada dia se fazem novas descobertas.
A doença da mente pode ser causada por fatores químicos como a falta de uma determinada substância no organismos ou por fatores psicológicos, como um trauma na infancia, uma educação deturpada ou por manias que acabamos incorporando em nossas mentes como parte de nossas rotinas. Para tratar os fatores químicos devemos utilizar remédios e para os fatores psicológicos temos a psicoterapia ou a terapia com psicólogo. Falaremos dos psicólogos em outro post.
Como em todo e qualquer tratamento, também não devemos abandonar ou parar na metade um tratamento psiquiátrico. Muitos medicamentos tem efeitos colaterais quando tomamos e efeitos muito piores quando paramos com eles de uma hora para outra sem fazer a retirada gradual. Além desses efeitos indesejados de parar a medicação ainda temos, muitas vezes, a volta do problema no qual estávamos tratando e muitas vezes a recaída é pior do que o problema inicial.
Eu aprendi a gostar do meu psiquiatra, ele me ouve com a maior paciencia :). Tudo bem que ele é pago para isso mas tem muita gente que pagaria para eu ficar quietinho rs
26 agosto 2010
Lembranças de um passado recente
30 anos não apagaram minha lembranças sobre o TOC. Se me recordo do meu 1o ritual, como eu poderia esquecer de outras coisas tão marcantes quanto o 1o ritual? Poderia colocar tudo em um livro ou até em uma enciclopédia inteira.
Hoje enquanto tomava uma xícara de café aqui na empresa eu vi uma outra pessoa pegando café naqueles copinhos plásticos de 50ml que mais parecem um dedal e isso me remeteu a 10 anos atrás quando começei a tratar do TOC com medicamentos. Todo medicamento tem efeitos colaterais então evito ler essa parte da bula para não ser influenciado pelos relatos que ali constam mas com o tempo descobri que a clomipramina é um dos medicamentos para TOC que mais tem efeitos colaterais. Dentre os vários efeitos vou citar apenas a boca seca e tremores que foram os sintomas que mais me atrapalharam no começo do tratamento.
Eu estava fazendo treinamento a semana toda e na metade da manhã, como de praxe, tinha um café muito bem servido pois o curso não era barato (ainda bem que quem pagava era a empresa). Nessa época eu tinha a boca muito seca, não conseguia falar por mais de 5 minutos sem beber um gole dágua pois meus lábios começaram a grudar na gengiva e a língua no céu da boca. Também tinha tremores na mão que não chegavam a me atrapalhar na hora de escrever ou digitar mas quando precisava pegar algo ou então quando esticava as mãos os tremores eram perceptíveis. Não bastava eu ter que esconder meu TOC, agora também tinha que disfarçar a boca seca e os tremores.
Voltando à mesa do café, já era dificil para mim pegar suco nos copos plásticos de 200ml pois eu tremia um pouco, agora imagina colocar café num copinho minúsculo no qual precisa-se de uma mira melhor, adoçar, mexer com a colher sem derramar e a pior parte..... tentar tomar. Eu erguia o copo e começava a tremer e quanto mais eu me aproximava da boca tentando acertá-la sem derramar mais aumentava a tremedeira como se eu estivesse levantando 5kg de peso após 2hs de aula de musculação. Depois da 3a tentativa não tive como não rir e a solução foi beber um pouco do café com o copinho apoiado mesa para depois levá-lo à boca :)
Naquela época eu era mais desinibido em relação ao TOC e não havia problema nenhum para mim em falar do TOC ou rir dele. Eu tinha um colega de curso que também tremia um pouco. Ele me disse que também era por causa de uns medicamentos que ele tomava mas nunca nos aprofundamos no assunto um do outro, apenas dávamos risada quando iamos tomar café.
A boca seca também me pregou uma peça quando tive que fazer uma apresentação para o pessoal de trabalho. Levei pouca água para a apresentação e mal começei e a água já havia acabado. O pessoal ficou empolgado com a apresentação e começou a fazer cada vez mais perguntas e minha boca foi secando e amarrando como se eu estivesse comendo um cajú verde a tal ponto de quase nem eu mesmo entender o que estava falando. Uma cena que exemplifica bem essa situação é a do filme EU, EU MESMO & IRENE onde o Jim Carrey, que está tomando anti-depressivos devido ter sido abandonado pela esposa, aparece bebendo toda a água do bebedouro e quando ele fala sua boca está branca e seus lábios grudados na genviva.
Mas com o tempo esses efeitos colaterais foram diminuindo e alguns até desapareceram.
Como diz meu irmão: não existe almoço grátis. É o preço que se paga para se livrar de algo pior.
Hoje enquanto tomava uma xícara de café aqui na empresa eu vi uma outra pessoa pegando café naqueles copinhos plásticos de 50ml que mais parecem um dedal e isso me remeteu a 10 anos atrás quando começei a tratar do TOC com medicamentos. Todo medicamento tem efeitos colaterais então evito ler essa parte da bula para não ser influenciado pelos relatos que ali constam mas com o tempo descobri que a clomipramina é um dos medicamentos para TOC que mais tem efeitos colaterais. Dentre os vários efeitos vou citar apenas a boca seca e tremores que foram os sintomas que mais me atrapalharam no começo do tratamento.
Eu estava fazendo treinamento a semana toda e na metade da manhã, como de praxe, tinha um café muito bem servido pois o curso não era barato (ainda bem que quem pagava era a empresa). Nessa época eu tinha a boca muito seca, não conseguia falar por mais de 5 minutos sem beber um gole dágua pois meus lábios começaram a grudar na gengiva e a língua no céu da boca. Também tinha tremores na mão que não chegavam a me atrapalhar na hora de escrever ou digitar mas quando precisava pegar algo ou então quando esticava as mãos os tremores eram perceptíveis. Não bastava eu ter que esconder meu TOC, agora também tinha que disfarçar a boca seca e os tremores.
Voltando à mesa do café, já era dificil para mim pegar suco nos copos plásticos de 200ml pois eu tremia um pouco, agora imagina colocar café num copinho minúsculo no qual precisa-se de uma mira melhor, adoçar, mexer com a colher sem derramar e a pior parte..... tentar tomar. Eu erguia o copo e começava a tremer e quanto mais eu me aproximava da boca tentando acertá-la sem derramar mais aumentava a tremedeira como se eu estivesse levantando 5kg de peso após 2hs de aula de musculação. Depois da 3a tentativa não tive como não rir e a solução foi beber um pouco do café com o copinho apoiado mesa para depois levá-lo à boca :)
Naquela época eu era mais desinibido em relação ao TOC e não havia problema nenhum para mim em falar do TOC ou rir dele. Eu tinha um colega de curso que também tremia um pouco. Ele me disse que também era por causa de uns medicamentos que ele tomava mas nunca nos aprofundamos no assunto um do outro, apenas dávamos risada quando iamos tomar café.
A boca seca também me pregou uma peça quando tive que fazer uma apresentação para o pessoal de trabalho. Levei pouca água para a apresentação e mal começei e a água já havia acabado. O pessoal ficou empolgado com a apresentação e começou a fazer cada vez mais perguntas e minha boca foi secando e amarrando como se eu estivesse comendo um cajú verde a tal ponto de quase nem eu mesmo entender o que estava falando. Uma cena que exemplifica bem essa situação é a do filme EU, EU MESMO & IRENE onde o Jim Carrey, que está tomando anti-depressivos devido ter sido abandonado pela esposa, aparece bebendo toda a água do bebedouro e quando ele fala sua boca está branca e seus lábios grudados na genviva.
Mas com o tempo esses efeitos colaterais foram diminuindo e alguns até desapareceram.
Como diz meu irmão: não existe almoço grátis. É o preço que se paga para se livrar de algo pior.
25 agosto 2010
Ansiedade no último!
Sempre fico no mesmo dilema da Tostine: Sou ansioso porque tenho TOC ou tenho TOC pq sou ansioso? Sei que a ansiedade está diretamente relacionada com o TOC mas não sei quem veio primeiro, se o TOC ou a ansiedade.
Mas assim como não sabemos quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha - e isso não nos faz falta - acredito que também não faz diferença quem veio primeiro, se o TOC ou a ansiedade. O que importa é que com o aumento da ansiedade os rituais tendem a aumentar também. E muitas vezes quando não conseguimos nos libertar de um determinado ritual, vamos ficando cada vez mais ansioso e esse ciclo vicioso nos leva a quase explodir!!! Mas calma porque nunca ninguém explodiu por causa do TOC, pelo menos não no sentido literal da palavra.
Aprendendo a controlar a ansiedade ou a lidar com ela podemos reduzir as compulsões ou até eliminá-las completamente. Não temos, muitas vezes, como eliminar por completo as obsessões pois não podemos controlar nossos pensamentos e impedir de pensar coisas que não queremos ou que não nos agrada. Também não há como eliminar por completo nossa obsessão por limpeza ou por organizar as coisas mas podemos sim controlar e eliminar as compulsões que essas obsessões nos trazem. Podemos evitar de lavar as mãos toda hora que achamos que ela está suja ou podemos deixar de evitar tocar em algo por achar que iremos nos contaminar. Essas atitudes de evitar as compulsões claro que num primeiro instante nos trará mais aflição e ansiedade do que se simplesmente nos rendessemos aos rituais pois realizamos os rituais justamente para minimizar essa ansiedade mas ao longo do tempo, aos poucos, com calma, essa ansiedade vai diminuindo conforme vamos deixando de realizar algumas compulsões. Assim como nossa mente se habituou a realizar os rituais para minimizar a ansiedade, com o tempo nossa mente vai se habituando a não mais realizar os rituais quando ela é tomada por algum pensamento impuro, por algum medo de contaminação ou pela dúvida se realizamos ou não determinada checagem.
Descobrindo e entendendo o que nos deixa ansioso ou o que aumenta nossa ansiedade podemos aprender a como lidar com essa ansiedade para minimizá-la e ficar mais tranquilo antes de sair por aí fazendo rituais. Depois que dominamos a ansiedade e ela dimuniu ou mesmo vai embora sentimos que não é mais necessário fazer os rituais que tinhamos compulsão por fazer.
Controlada nossas obsessões e dominada nossa compulsão podemos sim levar uma vida "normal". Digo "normal" entre aspas pois esse normal é muito relativo. Se olharmos de perto ninguém é normal, todo mundo tem uma coisinha ou outra que foge do que se estabeleceu por padrão como "normal".
Levar uma vida normal para mim é levar uma vida na qual eu não seja escravo de nada, nem bebida, nem cigarros e muito menos do TOC. É levar uma vida onde se encontra obstáculos mas se tem equilíbrio para ultrapassá-los, uma vida onde encontraremos dificuldades sim mas saberemos lidar com essas dificuldades sem atingir nenhum extremo.
Uma vida normal é ter de volta o controle do meu pensamento, da razão, da certeza e da ansiedade.
Mas assim como não sabemos quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha - e isso não nos faz falta - acredito que também não faz diferença quem veio primeiro, se o TOC ou a ansiedade. O que importa é que com o aumento da ansiedade os rituais tendem a aumentar também. E muitas vezes quando não conseguimos nos libertar de um determinado ritual, vamos ficando cada vez mais ansioso e esse ciclo vicioso nos leva a quase explodir!!! Mas calma porque nunca ninguém explodiu por causa do TOC, pelo menos não no sentido literal da palavra.
Aprendendo a controlar a ansiedade ou a lidar com ela podemos reduzir as compulsões ou até eliminá-las completamente. Não temos, muitas vezes, como eliminar por completo as obsessões pois não podemos controlar nossos pensamentos e impedir de pensar coisas que não queremos ou que não nos agrada. Também não há como eliminar por completo nossa obsessão por limpeza ou por organizar as coisas mas podemos sim controlar e eliminar as compulsões que essas obsessões nos trazem. Podemos evitar de lavar as mãos toda hora que achamos que ela está suja ou podemos deixar de evitar tocar em algo por achar que iremos nos contaminar. Essas atitudes de evitar as compulsões claro que num primeiro instante nos trará mais aflição e ansiedade do que se simplesmente nos rendessemos aos rituais pois realizamos os rituais justamente para minimizar essa ansiedade mas ao longo do tempo, aos poucos, com calma, essa ansiedade vai diminuindo conforme vamos deixando de realizar algumas compulsões. Assim como nossa mente se habituou a realizar os rituais para minimizar a ansiedade, com o tempo nossa mente vai se habituando a não mais realizar os rituais quando ela é tomada por algum pensamento impuro, por algum medo de contaminação ou pela dúvida se realizamos ou não determinada checagem.
Descobrindo e entendendo o que nos deixa ansioso ou o que aumenta nossa ansiedade podemos aprender a como lidar com essa ansiedade para minimizá-la e ficar mais tranquilo antes de sair por aí fazendo rituais. Depois que dominamos a ansiedade e ela dimuniu ou mesmo vai embora sentimos que não é mais necessário fazer os rituais que tinhamos compulsão por fazer.
Controlada nossas obsessões e dominada nossa compulsão podemos sim levar uma vida "normal". Digo "normal" entre aspas pois esse normal é muito relativo. Se olharmos de perto ninguém é normal, todo mundo tem uma coisinha ou outra que foge do que se estabeleceu por padrão como "normal".
Levar uma vida normal para mim é levar uma vida na qual eu não seja escravo de nada, nem bebida, nem cigarros e muito menos do TOC. É levar uma vida onde se encontra obstáculos mas se tem equilíbrio para ultrapassá-los, uma vida onde encontraremos dificuldades sim mas saberemos lidar com essas dificuldades sem atingir nenhum extremo.
Uma vida normal é ter de volta o controle do meu pensamento, da razão, da certeza e da ansiedade.
24 agosto 2010
Varrendo as folhas
Olá a todos, sei que estou sumido faz uns 10 dias mas é que foi uma combinação de saco cheio com muito trabalho para fazer. Quando aqui estava sossegado não tinha vontade de postar e quando estava com vontade de postar havia muita coisa para fazer no trabalho. Agora deu para conciliar vontade com tempo livre :)
Nessa semana de correria teve um dia em que eu não tomei café em casa para não chegar muito atrasado no trabalho então depois que eu cheguei e coloquei as coisas em ordem eu fui até a lanchonete tomar meu café da manhã. Não foi a 1a vez que fiz isso e por enquanto não será a última mas quem sabe logo poderei ir na lanchonete quando eu quiser ou quando der saudades de tomar café lá e não porque precisei deixar de tomar café em casa por causa do TOC. Nesse dia em específico estava agitado devido aos vários compromissos aqui e o TOC parece que resolveu me perseguir com mais vontade e eu pulava todas as rachaduras do caminhho do meu prédio até a lanchonete e algumas vezes eu voltava para pisar novamente nos quadrados que já havia pisado. Como sempre passei pelo tiozinho que fica varrendo as folhas da calçada porém dessa vez estava com a cabeça em outro lugar e não prestei a atenção que ele havia parado de varrer para eu passar. Pulei algumas rachaduras e voltei várias vezes para pisar nos quadrados até que consegui seguir em frente e quando dei conta vi que o tiozinho estava parado, com a vassoura na mão, esperando eu terminar meu vai-e-vem para poder continuar a varrer. O olhar dele era de dúvida e sua expressão era um ponto de interrogação misturado com um ar de espanto. Não tentei explicar o inexplicável, não estava com paciência, tempo e nem vontade de fazê-lo. 30 anos de TOC me levaram de uma pessoa tímida, que tinha vergonha de seus atos, passando por alguém que passou a encarar seu problema de frente até alguém que cansou de se explicar e cada um pense o que quiser.
Apesar disso, durante o café a imagem dele varrendo as folhas secas que caíam das árvores para que o caminho ficasse mais limpo e bonito não me saia da cabeça. Ele não tinha TOC mas todos os dias fazia as mesmas coisas, varria as folhas que caíam, juntava elas em um canto e depois recolhia.
De um certo modo eu também "varria" todos os dias para debaixo do tapete os vestígios dos meus rituais para que as pessoas não vissem que eu tenho TOC, varria meu cansaço, meu desânimo para debaixo do tapete para que as pessoas ao meu redor não se cansassem de mim. Varria meu descontentamento para debaixo do tapete e colocava um sorriso no rosto só que esquecia de recolher tudo debaixo do tapete e jogá-los fora. Com isso eu ia acumulando cada vez mais lixo debaixo do meu tapete e aos olhos dos outros eu estava melhorando mas interiormente eu estava ficando sobrecarregado com tanto peso.
Resolvi botar todo esse lixo para fora contando aqui meus "causos", sendo assertivo e expondo para as pessoas o meu modo de pensar, os meus sentimentos sem agressividade e sem aceitar fazer algo que não me agrada somente para agradar a outra pessoa.
Aconselho a todos a fazerem o mesmo. Não é preciso esbravejar e jogar tudo para o alto, basta expor de modo educado seu ponto de vista, seus sentimentos e suas vontades e parar de se esconder ou varrer para debaixo do tapete tudo o que vc considera como "defeito" seu.
O espaço de comentário está aberto para vcs jogarem fora tudo o que lhes incomoda.
Nessa semana de correria teve um dia em que eu não tomei café em casa para não chegar muito atrasado no trabalho então depois que eu cheguei e coloquei as coisas em ordem eu fui até a lanchonete tomar meu café da manhã. Não foi a 1a vez que fiz isso e por enquanto não será a última mas quem sabe logo poderei ir na lanchonete quando eu quiser ou quando der saudades de tomar café lá e não porque precisei deixar de tomar café em casa por causa do TOC. Nesse dia em específico estava agitado devido aos vários compromissos aqui e o TOC parece que resolveu me perseguir com mais vontade e eu pulava todas as rachaduras do caminhho do meu prédio até a lanchonete e algumas vezes eu voltava para pisar novamente nos quadrados que já havia pisado. Como sempre passei pelo tiozinho que fica varrendo as folhas da calçada porém dessa vez estava com a cabeça em outro lugar e não prestei a atenção que ele havia parado de varrer para eu passar. Pulei algumas rachaduras e voltei várias vezes para pisar nos quadrados até que consegui seguir em frente e quando dei conta vi que o tiozinho estava parado, com a vassoura na mão, esperando eu terminar meu vai-e-vem para poder continuar a varrer. O olhar dele era de dúvida e sua expressão era um ponto de interrogação misturado com um ar de espanto. Não tentei explicar o inexplicável, não estava com paciência, tempo e nem vontade de fazê-lo. 30 anos de TOC me levaram de uma pessoa tímida, que tinha vergonha de seus atos, passando por alguém que passou a encarar seu problema de frente até alguém que cansou de se explicar e cada um pense o que quiser.
Apesar disso, durante o café a imagem dele varrendo as folhas secas que caíam das árvores para que o caminho ficasse mais limpo e bonito não me saia da cabeça. Ele não tinha TOC mas todos os dias fazia as mesmas coisas, varria as folhas que caíam, juntava elas em um canto e depois recolhia.
De um certo modo eu também "varria" todos os dias para debaixo do tapete os vestígios dos meus rituais para que as pessoas não vissem que eu tenho TOC, varria meu cansaço, meu desânimo para debaixo do tapete para que as pessoas ao meu redor não se cansassem de mim. Varria meu descontentamento para debaixo do tapete e colocava um sorriso no rosto só que esquecia de recolher tudo debaixo do tapete e jogá-los fora. Com isso eu ia acumulando cada vez mais lixo debaixo do meu tapete e aos olhos dos outros eu estava melhorando mas interiormente eu estava ficando sobrecarregado com tanto peso.
Resolvi botar todo esse lixo para fora contando aqui meus "causos", sendo assertivo e expondo para as pessoas o meu modo de pensar, os meus sentimentos sem agressividade e sem aceitar fazer algo que não me agrada somente para agradar a outra pessoa.
Aconselho a todos a fazerem o mesmo. Não é preciso esbravejar e jogar tudo para o alto, basta expor de modo educado seu ponto de vista, seus sentimentos e suas vontades e parar de se esconder ou varrer para debaixo do tapete tudo o que vc considera como "defeito" seu.
O espaço de comentário está aberto para vcs jogarem fora tudo o que lhes incomoda.
13 agosto 2010
Tédio
Depois do dia de cão veio o dia de tédio.
Como eu já comentei, ter coisas demais para fazer e ter que fazê-las sob pressão não é bom para quem tem TOC pois a ansiedade aumenta e com ela os rituais mas ter tempo livre de sobra não ajuda muito pois como não estamos entretido em nenhuma atividade acabamos pensando mais no TOC e dando mais atenção ao rituais.
Aos mesmo tempo em que quero descansar quero ser produtivo. Ao mesmo tempo em que tenho várias coisas para fazer em casa, fico mais tempo no trabalho do que em casa só que não posso fazer no trabalho as coisas de casa e nem posso descansar no trabalho mesmo quando está sossegado. Só me resta, no trabalho, ficar ansioso com as coisas que tenho para fazer em casa, enquanto me sobra tempo para pensar nos rituais e em casa só me resta quase pirar de tanta coisa que tenho para fazer, ao mesmo tempo em que quero descansar pois uma mínima tarefa me custa muito esforço e tempo para realizar.
Tenho TOC a tanto tempo e era tão novo quando começei que quase não me recordo de como era a minha vida sem o TOC então não consigo imaginar como será a minha vida sem o TOC. Como seria colocar a camiseta que mais gosto ou a que mais combina com o meu humor e com a bermuda que estou? Como seria descer apenas uma vez a escada, ao invés de ficar subindo e descendo várias vezes até as pernas cansarem e eu ficar sem fôlego? Será que eu saberia andar na calçada pisando nas rachaduras ou teria de re-aprender a andar dessa maneira?
O pesadelo do TOC me persegue a tantos anos que não consigo sonhar acordado em como seria a minha vida sem ele. Muitas vezes me imagino com a Síndrome de Estocolmo, sou refém do meu próprio TOC e não sei como sobreviver sem ele. Tantos anos me tornaram um "dependente psicológico" do TOC por isso decidi e começei a fazer terapia seguindo a linha cognitivo-comportamental. Minha amiga Paula, uma ex-dependente do TOC :), tem me animado muito com seus depoimentos pois ela se libertou das garras do TOC fazendo terapia e provou que existe uma luz no fim do tunel (e não é o trem vindo não, é a cura mesmo). Dizem que nunca ficaremos livres dos pensamentos invasivos e das preocupações mas quem está livre deles? E levando essas preocupações a um nível aceitável, no qual dominamos os pensamentos e não somos dominados por eles já é uma enorme vitória.
Outra pessoa que tem me animado bastante é a Débora, ela quase sempre escreve no meu blog e lendo seus depoimentos, desde o 1o até o atual, percebemos a nítida melhora que ela vem tendo devido ao inicio do tratamento com medicamentos.
Se conheço pelo menos uma pessoa que venceu e outra que vem melhorando dia-a-dia com sua persistência não sou eu que vou parar no meio do caminho e dizer: Não brinco mais.
Dizem que "atrás de todo grande homem sempre tem uma grande mulher" mas no meu caso, como sou baixinho rs, preferi colocar essa grande mulher ao meu lado ao invés de atrás de mim pois não quero que ela me empurre para frente mas sim que ela me conduza e caminhe ao meu lado nas vitórias. E quando ela não facilita as coisas para mim ela me carrega nas costas fazendo as coisas por mim.
De quebra veio outra grande mulher - que por enquanto é pequena - para caminhar do meu outro lado mas creio que antes mesmo de que ela possa se entender por gente eu já esteja caminhando sem o TOC.
O que seria dos homens sem as suas mulheres :)
Como eu já comentei, ter coisas demais para fazer e ter que fazê-las sob pressão não é bom para quem tem TOC pois a ansiedade aumenta e com ela os rituais mas ter tempo livre de sobra não ajuda muito pois como não estamos entretido em nenhuma atividade acabamos pensando mais no TOC e dando mais atenção ao rituais.
Aos mesmo tempo em que quero descansar quero ser produtivo. Ao mesmo tempo em que tenho várias coisas para fazer em casa, fico mais tempo no trabalho do que em casa só que não posso fazer no trabalho as coisas de casa e nem posso descansar no trabalho mesmo quando está sossegado. Só me resta, no trabalho, ficar ansioso com as coisas que tenho para fazer em casa, enquanto me sobra tempo para pensar nos rituais e em casa só me resta quase pirar de tanta coisa que tenho para fazer, ao mesmo tempo em que quero descansar pois uma mínima tarefa me custa muito esforço e tempo para realizar.
Tenho TOC a tanto tempo e era tão novo quando começei que quase não me recordo de como era a minha vida sem o TOC então não consigo imaginar como será a minha vida sem o TOC. Como seria colocar a camiseta que mais gosto ou a que mais combina com o meu humor e com a bermuda que estou? Como seria descer apenas uma vez a escada, ao invés de ficar subindo e descendo várias vezes até as pernas cansarem e eu ficar sem fôlego? Será que eu saberia andar na calçada pisando nas rachaduras ou teria de re-aprender a andar dessa maneira?
O pesadelo do TOC me persegue a tantos anos que não consigo sonhar acordado em como seria a minha vida sem ele. Muitas vezes me imagino com a Síndrome de Estocolmo, sou refém do meu próprio TOC e não sei como sobreviver sem ele. Tantos anos me tornaram um "dependente psicológico" do TOC por isso decidi e começei a fazer terapia seguindo a linha cognitivo-comportamental. Minha amiga Paula, uma ex-dependente do TOC :), tem me animado muito com seus depoimentos pois ela se libertou das garras do TOC fazendo terapia e provou que existe uma luz no fim do tunel (e não é o trem vindo não, é a cura mesmo). Dizem que nunca ficaremos livres dos pensamentos invasivos e das preocupações mas quem está livre deles? E levando essas preocupações a um nível aceitável, no qual dominamos os pensamentos e não somos dominados por eles já é uma enorme vitória.
Outra pessoa que tem me animado bastante é a Débora, ela quase sempre escreve no meu blog e lendo seus depoimentos, desde o 1o até o atual, percebemos a nítida melhora que ela vem tendo devido ao inicio do tratamento com medicamentos.
Se conheço pelo menos uma pessoa que venceu e outra que vem melhorando dia-a-dia com sua persistência não sou eu que vou parar no meio do caminho e dizer: Não brinco mais.
Dizem que "atrás de todo grande homem sempre tem uma grande mulher" mas no meu caso, como sou baixinho rs, preferi colocar essa grande mulher ao meu lado ao invés de atrás de mim pois não quero que ela me empurre para frente mas sim que ela me conduza e caminhe ao meu lado nas vitórias. E quando ela não facilita as coisas para mim ela me carrega nas costas fazendo as coisas por mim.
De quebra veio outra grande mulher - que por enquanto é pequena - para caminhar do meu outro lado mas creio que antes mesmo de que ela possa se entender por gente eu já esteja caminhando sem o TOC.
O que seria dos homens sem as suas mulheres :)
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