18 janeiro 2011

Livre para ser obsessivo-compulsivo

Descobri que eu não me importo de ter TOC e desisti de lutar para me curar 100% e ser uma pessoa normal pois pessoas normais não existem. É bem válido aquele ditado que diz que "de médico e louco todo mundo tem um pouco". Nos 5 anos de faculdade eu tive algumas aulas de psicologia e logo no início precebi que todo comportamento humano podia ser enquadrado em uma patologia e afirmei à professora que dessa maneira ninguém seria normal e ela disse que é verdade isso mas se a pessoa vive bem na sua "anormalidade" não há porque procurar ajuda e mudar. Somente devemos procurar ajuda para mudar se nossas patologias nos afetam ou afetam as demais pessoas.
Eu convivo com o TOC a muitos anos, ele já faz parte da minha vida e não consigo me lembrar de como era a minha vida antes do TOC e também não consigo imaginar como seria ela sem o TOC. Acho que sofro da Síndrome de Estocolmo pois o TOC sequestrou a minha mente e me mantém cativo e essa relação de amor e ódio se arrasta a tanto tempo que não consigo vislumbrar minha vida sem o TOC.
Se eu pudesse ao menos ter mais liberdade com o TOC, se eu pudesse pular as rachaduras no chão sem me esconder, disfarçar ou dar satisfações, se eu pudesse voltar quantas vezes fosse necessárias para conferir, se eu pudesse abrir e fechar a porta do carro quantas vezes eu precisasse sem olhares estranhos já seria um alívio imenso. Se eu pudesse realizar meus rituais quando eu quisesse ou quando tivesse tempo, se fosse possível dar uma pausa nos rituais e pensamentos para realizar tarefas importantes e urgente e depois recomeçar de onde parei nem me importaria muito com o TOC.
Já cheguei num nível satisfatório em relação ao meu TOC em que, apesar de eu ainda ter TOC ele não me atrapalhava. Tinha dúvidas se havia fechado ou não a porta como a maioria das pessoas mas puxando pela memória conseguia lembrar de um fato que me certificava que havia fechado a porta e não voltava para verificar. Gostava das coisas organizadas mas não necessáriamente alinhadas ou simétricas. Apesar de ainda ter TOC era algo que não me atrapalhava e permitia levar uma vida "normal". Depois de um tempo mesmo tomando remédios os pensamentos e rituais foram se tornando mais pertinentes, nada comparado com antes quando eu não me tratava mas o suficiente para o TOC voltar a me incomodar.
Hoje, após muitos anos buscando a cura, busco apenas voltar àquele estágio em que eu tinha pensamentos e rituais mas era livre para ser obsessivo-compulsivo, sem me importar com os rituais, sem me importar com o olhar recriminatório e curioso das pessoas. Pois buscar a cura de forma "obsessiva", querer o perfeccionismo é mais uma caracteristica dos portadores de TOC e para me livrar dele preciso me livrar dessa caracteristica :).
Não me importo em ser diferente igual a todo mundo, eu quero é ser livre.

16 comentários:

  1. Parabéns Miguelito. Você é um vencedor! Com certeza com esse blog vc ajudou muitas pessoas e muitas outras serão ajudadas por ele. Um forte abraço!

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  2. Obrigado mas o blog nao seria nada sem os leitores.

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  3. Vc não acha natural as pessoas acharem estranho seus rituais e olharem? Não concordo qdo diz q as pessoas te recriminam com olhares, elas somente acham nada normal uma pessoa repetir um determinado ato trocentas vezes. Bom esta é minha opinião.

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  4. Então Marta, natural não é não, pode ser comum as pessoas fazerem isso mas com certeza não acho natural. Assim como também não acho natural uma pessoa desviar o olhar quando ve alguém com com o rosto desfigurado por uma queimadura ou acidente ou então torcerem o nariz e deixarem de dar a mão para alguém que eles sabem que tem AIDS. Tudo isso demostra a ignorância das pessoas e quando digo ignorância não é no sentido pejorativo mas sim no sentido de que elas ignoram o que é o TOC, ignoram que AIDS não se pega com um aperto de mão.
    Natural seria se as pessoas cumprimentassem o alguém com cicatrizes de queimadura, desse um aperto de mão e também um beijo no rosto do portador do HIV e deixassem o portador de TOC ir e voltar quantas vezes necessários e caso não entendam, que venham perguntar o que vem a ser aqueles “rituais”. Posso afirmar que é ignorância, no sentido de ignorar o que venha a ser o TOC, pois meu amigos mais próximos deixaram de ficar me olhando com olhar estranho quando expliquei o que é o TOC.
    Tudo bem que nós dois generalizamos. Não são todas as pessoas que olham com olhar recriminador, algumas olham com olhar de deboche, outras com olhar de curiosidade. Só quem tem TOC sabe como são os olhares das pessoas, como é ruim vc passar e as pessoas rirem ou cutucarem a outra e apontar vc e etc.
    Mas obrigado por sua opinião, entendo seu ponto de vista e espero ter explicado de forma clara meu ponto de vista. É com opiniões e debates que vamos divulgando o TOC e as pessoas passam a entender os portadores de TOC e os portadores de TOC passam a entender as pessoas

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    1. Você está totalmente certo! Por isso e por tudo gosto tanto de você!

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    2. Estou estonteado com ess declaração :)
      Beijokas

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    3. Estonteado (rsrs) é ótimo! Mas é a verdade! É o que todos nós sentimos! Sua iniciativa foi muito importante para nós! Uma luz!
      Fiquei pensando sobre a questão de ser ou não natural o olhar que direcionamos a quem nos é diferente de alguma forma.
      Eu já buscava ter uma atitude natural ao me deparar com alguém que apresentasse alguma característica diferente para mim, por ex. uma deficiência, porque imagino que todos têm algo de diferente, independente de ser uma deficiência, um transtorno, uma doença, algo que seja aparente ou não e depois do que vc escreveu passei a me esforçar ainda mais no sentido de ao me deparar com uma pessoa que chame automaticamente a minha atenção por possuir alguma particularidade, buscar não encará-la fazendo-a sentir que há algo de anormal com ela, pois imagina que ela já saiu de casa para superar sua dificuldade seja qual for e ainda precisa de força extra para enfrentar olhares insistentes e incompreensivos. Imagina, ao se deparar com um transtornado, mais que isso, obsessivo e ainda compulsivo, certamente se ele estiver executando seus rituais, vc não o verá com naturalidade, mas o que é natural para vc? E, se vc direciona esse olhar instigador a todos os que fogem do seu conceito de natural, que pode ser bem limitado, pode estar pisando sobre uma linha bem triste: a intolerância. Eu tenho TOC. Não estou pedindo ajuda nem que aceitem minhas manias. Mas também não estou pedindo repreensões que em nada irão contribuir com minha melhora. Eu peço tolerância. Tolerância com todos os que não passam na sua lista de "naturalidade". Muitas coisas podem tornar-se comuns, crimes brutais, delitos... mas nunca naturais. Um transtorno, uma doença, uma deficiência são naturais, embora indesejados. Eu gostaria que realmente existisse no olhar das pessoas essa tão falada naturalidade, mas o problema é que para muitos é natural olhar, mas o olhar não é natural! No mais, mais ajuda quem não atrapalha e quem ama o feio, bonito lhe parece! Tolerância, eu insisto, e acima de tudo o AMOR! Tenho certeza que vc tbm possui alguma particularidade que não pareceria nada natural se vc a expusesse ao olhar natural crítico e sem naturalidade nenhuma de muitas pessoas.

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  5. Acho muito complicado quem não tem o TOC dizer isso ou aquilo.
    é como quem não tem depressão.
    quem não tem ou nunca teve depressão não consegue se colocar no lugar do outro de verdade, porque simplesmente aquela situação lhe diz muito pouco.
    é natural as pessoas olharem com estranheza?
    infelizmente é...
    como é natural as pessoas mentirem, como é natural as pessoas serem infiéis, como é natural tanta coisa que a gente vive hoje...
    ficou natural ....
    mas o que seria o normal?
    aquilo que a maioria faz?
    daqui há um tempo será natural matar as pessoas, porque a maioria estará fazendo isso.
    eu penso que deve prevalecer o respeito em todas as relações, físicas, íntimas ou não.
    não justifica eu olhar diferente só porque o que eu vejo não é o que eu vivo diariamente.
    entendi o ponto de vista da Marta.
    infelizmente, esse e outros muitos problemas de saúde causam severas complicações nas relações sociais.
    depende da gente, depende do que a gente quer ver.
    como dizia minha mãe: respeito é bom e eu gosto.
    em qualquer circunstância.
    Miguelito, infelizmente não podemos modificar o mundo e nem as pessoas.
    felizmente, temos apenas controle de nós mesmos, não é?
    abraço.

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  6. Oie! Estou muito sumida, mas passei aqui e tenho que dizer que adorei esse post. Posso dizer que agora você está entendendo o "espíriro da coisa". A cura está em conviver bem com o TOC e não se martirizar todos os dias por ser compulsivo...
    Continue na caminhada!!! Deus te abençoe. Depois passo com mais calma

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  7. Miguelito,

    Fiquei receoso num primeiro momento em postar minha discordância aqui, mas, depois de pensar, achei que você não iria se importar com isso. É que eu realmente gostaria de ficar livre do TOC, de deixar de tê-lo para sempre.

    Mas entendi o que você disse no seu post. Na verdade, se temos TOC, é preciso tentar conviver com ele da melhor forma possível, não nos importando tanto. Afinal, quanto menos importância a gente dá ao TOC, menos força ele tem.

    Um abraço.

    Calvin

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  8. Olá Calvin,

    AS pessoas não são obrigadas a concordarem com meus pensamentos :). Eu queria muito a cura mas cansei de buscá-la, gasto mais energia buscando a cura do que com meu TOC então se eu conseguir uma melhora ótima já está bom. Mas Realmente seria maravilhoso se eu nao tivesse TOC ou se eu nunca tivesse tido isso. Como eu já disse não me lembro de como era aminha vida sem o TOC mas posso imaginá-la como ela seria sem o TOC. Quantas coisas a mais eu teria vivido, quantas coisas eu teria deixado de desperdiçar por causa do TOC. Quantos constrangimentos eu teria deixado de passar, como eu poderia ter sido mais feliz sem as infelicidades do TOC

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  9. oi, ao ler seu relato muito me emocionei,pois vivo com o toc desde a infancia mais ou menos com nove anos, hoje estou com trinta e muito depressiva fiz varios tratamentos tomei quase todo tipo de medicaçao indicada para o toc,mas nunca fiquei boa,Tive um tempo em minha vida,que foi parecido com o que vc viveu,apesar de ter pensamentos ruins eles nao me encomodavam muito e muitas vezes eu nao cedia aos rituais, mas foi um tempo em que realmente eu nao consigo lembrar se fui feliz,so sei que logo voltei a ser a velha Juliana de sempre e a ter meus grandes pensamentos pessimistas e catastroficos mas continuo lutando embora ja sem esperanças de um dia viver sem essa angustia

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Boa Noite pessoal, desejo compartilhar aqui que possivelmente sofro de TOC, a pelo menos dois anos, qualquer coisa que acontece de diferente, como de uma criança sangrar e dela encostar em mim fico com a cabeça imaginando se ela pode ter me contaminado com HIV desconhecendo sua sorologia e se existiu alguma probabilidade de contaminação, pior que não confio nos médicos, não confio nem nos testes direitos pois são passiveis de alguma probabilidade de falhas, acredito que tenho que fazer o teste elisa 3º, 4º geração, teste rapido e um outro mais caro com o convenio que pago em um periodo de 15 em 15 dias e fico analisando, me apalpando, me auto diagnosticando, peço a opinião médica, imagino que meus gânglios estão inchados mas os médicos sempre falam que não há nada de errado, fico febril as vezes chegando aos 37ºc mas nenhum desses testes deram positivos, tudo NEGATIVO para HIV e de toda a turma de dst's perdi a conta de quantos já fiz, não confio no hospital, na seringa que me inspetam para tomar um soro pois acho que ali existe alguma probabilidade de 0,00005% de contaminação e fico ansioso, não durmo, perco sono, interfere no dia a dia e as vezes fico até empipocado, fiz teste de sorologia para tudo, hemograma e tudo demonstra que estou normal, analiso cada grupo sanguino principalmente o quantitativo de linfócitos e leucócitos... contudo estou me segurando já a dois meses para não fazer mais testes algum, estou a dois anos pelo menos nessa rotina, não quero passar em um psiquiatra pois ele me dará medicamentos que me deixam mais mal ainda interferindo ao meu dia a dia mais AINDA e estou começando de novo com essa obsessão, pior que sofro também de rangimos, a medida que o período passa é pior pois minhas mandíbulas estão doendo já, ouço zumbido de vez em quando e preciso comprar uma nova placa de rangimos pois a ultima ficou estraçalhada... infelizmente não sei como tratar isso pois acredito fielmente que tenha me contaminado com HIV.. Ocorreu uma situação onde transei com uma mulher com camisinha, só que tinha feito cirurgia de varicocele, tinha passado 29 dias e estava cicatrizado embora sensível a pele de forma rosada, retirei um ultimo fiapo do ponto parecendo que tenha ficado um micro furo, ''contudo não sangrante'', a pele demonstrou apenas sensível e rosada e acreditando na hipótese eventual de que possa ter passado alguma secreção vaginal ter escorrido até o escroto e tenha passado em cima dessa cicatriz acredito que possa ter ocorrido contaminação... passei em dois médicos, um inclusive dentro do período de 72 horas após o ato e ele me proibiu em usar o medicamento pós risco para hiv pois para ele o risco seria apenas teórico na margem de 0,00005% afirmando que não ocorreu nada e o outro já foi determinante que não houve risco algum.. tenho que começar a ser normal pois poxa, essa gastura já ocorre um longo período e não quero fazer mais um novo teste.. pois desse teste não irei confiar devido a margem de erro pequena e teórica, onde fará que se crie um novo vicio de ciclos de exames e possivelmente já saberemos o resultado, mas fico pensando e ''se'' nessa eventual hipotese tenha ocorrido alguma coisa? Será que nessa situação de risco tenha adquirido HIV possivelmente? Sinceramente que vcs acham?

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  13. Eu tenho vivido com esta doença mortal por mais de um ano, o meu marido, descobri que estávamos ambos HIV +. Tínhamos tentar de todas as maneiras de viver nossas vidas, apesar desta coisa em nosso corpo não até que me deparei com este poderoso herbalista que interpretou que ele tinha a cure.At primeiro, ficamos mais cético, mas meu marido insistiu em dar-lhe uma tentativa e pedimos para algumas de suas ervas e em poucas semanas depois de seguir o devido processo desta fitoterapeuta, fomos para um teste de como ele nos disse também fomos surpreendidos com a felicidade quando recebi o resultado na clínica. A taxa de vírus em nosso corpo caiu e em mais algumas semanas Estávamos totalmente cured.We também perguntou por que ele não veio para o mundo que ele tinha a cura e ele disse que fez em 2011, mas foi rejeitada pela equipe de pesquisa internacional. A coisa mais importante é para você ser curado Se você quer saber sobre o fitoterapeuta chamá-lo em +234 706 542 4920 ou e-mail: herbalcure4u@gmail.com. Deus te abençoe.Eu tenho vivido com esta doença mortal por mais de um ano, o meu marido, descobri que estávamos ambos HIV +. Tínhamos tentar de todas as maneiras de viver nossas vidas, apesar desta coisa em nosso corpo não até que me deparei com este poderoso herbalista que interpretou que ele tinha a cure.At primeiro, ficamos mais cético, mas meu marido insistiu em dar-lhe uma tentativa e pedimos para algumas de suas ervas e em poucas semanas depois de seguir o devido processo desta fitoterapeuta, fomos para um teste de como ele nos disse também fomos surpreendidos com a felicidade quando recebi o resultado na clínica. A taxa de vírus em nosso corpo caiu e em mais algumas semanas Estávamos totalmente cured.We também perguntou por que ele não veio para o mundo que ele tinha a cura e ele disse que fez em 2011, mas foi rejeitada pela equipe de pesquisa internacional. A coisa mais importante é para você ser curado Se você quer saber sobre o fitoterapeuta chamá-lo em +234 706 542 4920 ou e-mail: herbalcure4u@gmail.com. Deus te abençoe.

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