19 julho 2010

TOC quando convém

Sábado tive uma experiência inesquecível e dolorosa que vou lembrar para o resto da minha vida. Acordei as 8:00hs com uma forte dor na barriga, fui até o banheiro para fazer xixi mas me deu tontura e voltei para a cama. Fiquei deitado um pouco e fiz mais uma tentativa mas dessa vez a dor foi maior e a tontura também então voltei correndo para a cama. Engraçado que em nenhuma dessas duas vezes que levantei fiz meus rituais, a dor era tamanha que esqueci deles. Fiquei na cama até umas 9:30hs gemendo e minha esposa me falando para ir ao médico mas como já tinha tomado remédio para dor estava esperando passar (sou meio de reclamar por qualquer dorzinha mas dessa vez nem vontade de reclamar eu tinha e odeio hospitais e principalmente injeções por isso estava protelando ir). As 9:30hs a dor era tanta que aceitei até ir ao médico. Aí eu queria ir correndo, não via a hora de chegar no hospital e tomar um soro com analgésico para passar essa dor. Levantei com dificuldade e minha esposa me ajudou a trocar de roupa e fomos para o hospital, novamente não fiz meus rituais para me  trocar e sair de casa pois a dor não me deixava pensar.
Chegando no hospital voei para a recepção e queria logo entrar na salinha onde toma soro mas ainda tive que preencher meus dados, aguardar ser chamado na sala de triagem, depois aguardar o médico e finalmente fui para a salinha receber o soro. Todo esse trajeto fiz sem nem mesmo lembrar que eu tinha TOC. Na verdade por duas vezes até pensei em voltar no trajeto para "pular" uma linha no chão mas não tinha forças.
Depois do soro fui fazer um ultrassom e o médico me disse que tinha um pequeno cálculo na minha bexiga que provavelmente meu rim acabará de expelir. Caramba, pela dor eu achei que estava expelindo meu próprio rim e não apenas "um pequeno cálculo".
Finalmente aquela dor quase insuportável havia passado e agora eu tinha cabeça para pensar em meu TOC e não mais em como aliviar aquela dor que não era aliviada nem sentado, nem em pé, nem deitado, de maneira alguma. Senti necessidade de lavar as mãos, de pular os riscos no chão do hospital e até refazer alguns trechos do caminho que eu havia pulado.
Como nossa mente é interessante, o TOC tem seu lado químico provocado pela falta de serotonina no cérebro que já estou tratando a muito tempo tomando medicamento que atua na recaptação da serotonina mas tem seu lado psicológico que tenho deixado de lado e me entregado a ele. Enquanto estava com aquela dor insuportável tudo o que eu queria era me livrar dela e nem me lembrei do TOC e quando lembrava nem cogitava a idéia de ficar fazendo rituais que iriam aumentar a dor ou me atrasar para ser gentilmente picado por uma agulha que iria me injetar o alívio para aquela dor.
Se consegui agir assim por mais da metade do dia  porque não agir assim pelo resto da minha vida? Se não me fez falta fazer os rituais e nenhum pensamento ficou me perturbando durante o sábado porque assim que aliviou a dor os pensamentos voltaram e voltei com os rituais?
Acredito que as respostas estejam na terapia cognitivo-comportamental que estou começando a fazer e assim que eu as tiver postarei os progressos aqui no blog. O importante é que eu vi que é possível sim se livrar 100% dos pensamentos ou então quando os pensamentos aparecem é possível sim não se render aos rituais. É preciso passar o resto da vida com cólica renal para se livrar do TOC? Com certeza não pois descobri que existe algo pior que o TOC :). É preciso apenas reeducar sua mente e alterar seu comportamento em relação ao TOC para que vc consiga conviver com seus medos ao invés de tentar afastá-los com métodos criados por vc mesmo.
Sua mente é capaz de desfazer o que ela própria criou em relação aos seus medos, anseios e a falta de serotonina

6 comentários:

  1. Oi Júnior...aff,eu ja tive cólica renal...meu Deus...foi num sábado de manhã tbém...acordei,fui ao banheiro e qdo deitei novamente na cama começou a tortura...que dor,que dor terrível...nesse dia me lembro somente de ficar batendo com as mãos na parede...era o único ritual que conseguia fazer...mas como tem que ser contado as batidinhas,e tem que ser td ímpar,eu nem me lembrei de contar...só sei que dói demais...fiquei quase tres horas no soro pra passar...ai,depois que passou,assim que passou eu qria pq qria e tinha pq tinha q tomar banho...a maca do hospital parecia que tinha formiga...não conseguia encostar as costas mais,pois qria tomar banho...foi um tormento só...graças à Deus nunca mais tive...e nem qro ter...aqui em casa tem um pauzinho que é ótimo...desde que sou criança me lembro das pessoas virem aqui buscar se chama(raiz de cinzeiro)é muito bom...vc faz o chá e toma feito água...eu tomei,e rezava o dia td pra dor não voltar.
    Espero que esteja melhor...ontem eu,meu marido e minha mãe fomos ver a construção da nossa casa,que está em andamento...tivemos que levar a chave,pois ja esta com as portas...na hora de irmos embora,meu marido pediu que eu trancasse a porta da cozinha...na hora me lembrei de qdo vc me contou que pedia pra sua mãe fechar a porta e o portão de casa...então disse mais que depressa:"Fecha vc,por favor..."ele ficou bravo, mas felizmente acho que nem percebeu meu nervoso em relação à porta...me livrei da porta ufa!!! rsrsrs
    è assim né,a gente tem que ir driblando as oportunidades que o TOC tem de nos pegar...mas cá prá nós...sem cólica renal né?!?
    Boa noite,ótima semana...beijos,Débora.

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  2. Oi! Achei seu blog pesquisando no google. Gostaria de dizer para nunca desanimar, pois eu tenho TOC diagnosticado há 10 anos. Estou com 27 agora e hoje posso dizer que de tudo que passei: estou curada. Pode parecer estranho, mas para mim, viver sem luvas, sem lavar as mãos toda hora e sem conferir x vezes se o gás está fechado e se a casa está trancada é a cura! Só consegui tudo isso com medicamentos e terapia cognitiva que esse ano eu mesma me dei alta. rsrsrs Descobri que os poucos sintomas que faltam dependem só de mim e que sou mais forte que eles.
    Aprendi a me " desligar" dos pensamentos ruins, algo que parecia impossível. Hoje levo a vida mais leve, deixei meus pais mais tranquilos e meu marido mais feliz.
    Eu todo dia tinha 2 escolhas: me entregar ao TOC ou lutar. Com a ajuda de profissionais e das pessoas que amo decidi lutar e venci. Acredite e se precisar de ajuda ou trocar idéias pode me escrever.
    paulabalbio@hotmail.com
    abraços
    Paula

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  3. Eu costumo pensar que o meu maior problema é não ter problemas "reais". Sempre que é imperativo agir numa circunstância problemática ou assustadora, eu mantenho a calma (característica minha, aliás, que não me impede, contudo, sofrer de ansiedade patológica)e fico indignada com a capacidade que tenho de resolver o problema. Nesses momentos eu não sou portadora de TOC...
    Nunca percebi como era possível... mais uma vez o seu post faz todo o sentido, para mim!

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